Os Coutinho.

José Maria Coutinho (o filho) sempre foi um rapaz decidido e empreendedor. Desde tenra idade sonhava construir a sua própria fortuna (aquele tipo de fortuna também conhecida por sorte). Estava cansado que o comparassem com o pai, José Maria Coutinho (o respeitável advogado da fidalguia e burguesia enriquecida, a quem todos recorriam em momentos de aflição), de quem herdara o talento da oratória e, quiçá, da versificação. Tal como o pai, o Zé Maria era dotado em engendrar argumentos favoráveis para as suas empresas e, quem mais lucrava com isso, eram os amigos, que recorriam aos seus serviços a todo o instante (não havia melhor pregador para os livrar de um merecido castigo).

images (6)No que toca à poesia, o menino não conseguia descobrir, nas aborrecidas eloquências do Dr. José Maria Coutinho, quaisquer resquícios de lirismo; estava convencido que devia esta sua habilidade ao avô José Maria, mais conhecido por D. Coutinho (o maior conquistador e poeta da comarca, segundo rezava a história), a quem as musas agraciaram largas vezes. Zé Maria encontrava-se então num impasse: de um lado a senhora da balança, do outro as musas graciosas (ou seriam Tágides, como ouvira professora de português dizer numa aula sobre Camões; enfim, pouco importava o nome). Como não conseguia escolher (e era dotado das duas artes), resolveu agarrar na sua Viola e partir pelo mundo, cantando versos para animar as almas e conquistar o amor e a sua sorte.


images (13)

Este foi o meu 4.º exercício individual no “Curso de Escrita Criativa no Facebook” do escritor Pedro Chagas Freitas. Adorei e recomendo. | This was my fourth individual exercise in “Creative Writing Course on Facebook” by the writer Pedro Chagas Freitas. Loved it and recommend it.

Esta entrada foi publicada em Escrita Criativa com as etiquetas , . ligação permanente.